sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pérolas da Mitologia - A Beleza Interior


  A Corte de Paris e Helena - Jacques-Louis David

A lendária cidade de Tróia acabou sendo destruída pelos gregos por causa de Helena, a lindíssima esposa de Menelau, seduzida por Paris, o jovem e charmoso príncipe troiano. Depois de 10 anos de muitas lutas e peripécias, Tróia caiu e foi incendiada. Então Menelau pode voltar com Helena para Esparta, onde viveram felizes o resto de seus dias.

Muitos autores se esforçaram em demonstrar que Helena não era uma esposa infiel, capaz de abandonar o marido e os filhos na primeira oportunidade que apareceu. Para alguns, ela só fez aquilo por causa de Afrodite, a deusa do amor, que se apoderou de sua mente e fez dela marionete. Para outros ela foi levada a força, na ponta da espada, como acontecera com outras mulheres gregas antes dela. Uma terceira e curiosa versão dizia que Helena nunca pisara em solo troiano: ao fazer uma escala forçada no Egito, o faraó se indignou ao saber do seqüestro, reteve-a como hóspede e obrigou Paris a voltar sozinho para casa.

Quando os gregos, que desconheciam aquele fato, foram à Tróia exigir sua rainha, não acreditaram quando lhes disseram que ela ficara no Egito. Eurípedes ampliou esta versão, acrescentando que Helena ficou, sim, no Egito, mas Paris teria ido para casa levando, sem o saber, uma Helena falsa, um clone construído pelos deuses para punir os troianos.

Alguns daqueles autores queriam defender a imagem virtuosa de Helena apenas para justificar a naturalidade com que Menelau a recebeu de volta, tranqüilizando assim os maridos de toda a Grécia. Outros fizeram-no porque acreditavam nessa relação misteriosa que existe entre o nosso lado de dentro com o lado que aparece, e não acreditavam que alguém com tanta beleza, como Helena, pudesse ser uma pessoa vil e traiçoeira como pintavam.

O filósofo Montaigne também acreditava nessa relação do interior com a aparência, e aconselhava a nunca se desprezar a aparência, pois, dizia ele, assim como o sapato acaba assumindo a forma do pé que o calça, aquilo que se passa em nosso íntimo acaba aflorando na superfície. Diferente da pérola que vai crescendo no brilho sem que isso afete o lado externo da ostra, a beleza interior das pessoas, quando existe, nunca deixará de ser visível, especialmente no rosto. Essa região fascinante do corpo parece ser reservada para que brotem ali as flores do nosso espírito.

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